27.3.16

do que me lembro? do metal frio da cruz, que o padre trazia nas mãos, dando-a a beijar a todos os presentes, enquanto o sacristão recolhia singelamente o envelope. o meu pai, agnóstico e folião, ainda o bando comia as últimas amêndoas, já largava piadas às sotainas do sininho, que só naquela altura sabiam o caminho. a minha mãe encolhia os ombros e recolhia os copos sujos da mesa, enquanto eu, embora temendo um castigo divino, limpava os lábios com às costas da mão, num asco aflito. mais tarde, a minha mãe haveria de me explicar que não era preciso encostar, bastava a inclinação da vontade. jesus era meu amigo.