7.1.17

fez-me chegar a breve nota em missiva electrónica, bona fide evidente, "não se melindre a cara amiga". pois então, diz o leitor, parente próximo na certa de Napoleão Mendes de Almeida, que me repito nas conjunções em início de frase, praticadas em simultâneo com o exercício patusco de minusculização da letra que se quer grande. também abuso das mesmas em corpo interno, intoxicando o texto com as constantes paragens, conduzindo-o à pequenez da simplificação. o que se quer é o substantivo moderno, limpo de apêndices e floreados, desconstruindo a relação, prendendo a atenção.
meu "caro amigo", eis-me nada melindrada com obséquias observações. continuarei a repetir, repisar, reiterar, reforçar a gramática e a grafia da minha redundante arte caseira, como se quer de quem tem na teimosia a sua força maior. e quanto à ideia do seu parente, o carrancudo obstrutor, de que saber escrever a própria língua devia fazer parte dos deveres cívicos de cada um ou coisa assim, eu opto por Pessoa, o poeta multiplicador, e respondo-lhe que eu não escrevo em português, eu escrevo eu mesma, ganjenta de mim.

6 comentários:

  1. Que sorte!! Calhou-te um crítico literário. Já eu, além de ter sido abandonada pelo único anónimo mauzao que tive, jamais logrei obter um crítico literário. Estou cheia de inveja.

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    1. e onde está a futilidade em ter "críticos literários" a pousar rente no meu esterco?!

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    2. ganjenta de mim, é do melhor que tenho lido!

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    3. também gosto, é expressão que dá força à voz :)

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  2. Haja críticos! É que fazem tanta falta! ;)

    (também gostei de ganjenta)

    Beijocas, meninas :)

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